Durante o período entre 16 de novembro e 06 de dezembro de 2025, tive a oportunidade de participar de um programa de voluntariado no Phoudthasay English Center, localizado em Xayaboury (Sayaboury), uma cidade tranquila no norte do Laos.
O projeto
O centro é uma escola privada organizada pelo Mr. Sai, sua esposa e família. Nós voluntários ficamos responsáveis por ensinar inglês utilizando os materiais fornecidos pela própria escola. Dei aulas para duas turmas:
- Crianças com cerca de 10 anos,
- Adolescentes com média de 15 anos.
Recebemos algumas lições base como guia, mas no geral tivemos bastante liberdade para adaptar as aulas, criar dinâmicas e aplicar metodologias diferentes. Fomos muito bem recebidos por todos, e no fim da segunda semana realizamos um teste diagnóstico para ajudar o projeto a medir o nível dos alunos e melhorar o plano de ensino.
A página oficial do projeto — com fotos e contato — está disponível no Facebook.
A estrutura da parceria
Nosso voluntariado incluía aulas todos os dias da semana, com carga horária de 17h às 20h, de segunda a sexta, divididas em duas turmas de 1h30 cada.
Quanto à acomodação, ficamos em um quarto simples, porém espaçoso, com:
- Beliche
- Tapete confortável
- Mesa
- Cabideiros
Havia também uma cozinha compartilhada com os demais parceiros do projeto. Na época, o centro estava passando por reformas, então era comum encontrar trabalhadores circulando pelo espaço.
A cidade e o dia a dia em Sayaboury
Xayaboury fica cerca de 80 km de Luang Prabang, um dos destinos mais conhecidos do país. Apesar da proximidade, quase não há turistas na região, o que torna a experiência extremamente autêntica.
O Laos é um país de partido único comunista, algo visível nas inúmeras bandeiras vermelho-e-amarelo espalhadas pelas ruas principais.
Idioma e moeda
O idioma local é o laosiano, semelhante ao tailandês e escrito com um alfabeto próprio.
A moeda é o Kip (LAK) — na época da viagem, 1 USD equivalia a aproximadamente 20.000 LAK.
Internet e serviços
O sinal de Wi-Fi onde ficamos não era bom o suficiente para chamadas ou upload de vídeos. As melhoras operadoras eram Unitel e LaoTelecom, com pacotes entre 100.000 e 200.000 Kip.
Mesmo com poucas pessoas falando inglês, conseguimos fazer compras, cortar o cabelo e até adquirir equipamentos eletrônicos com facilidade.
Curiosidades e percepções
Por haver pouquíssimos estrangeiros na cidade, a presença de voluntários chama atenção: crianças sorriem, acenam e algumas chegam a gritar animadas ao nos ver.
O centro disponibilizava bicicletas para deslocamento. Quando necessário, havia também aluguel de motocicleta por 100.000 Kip/dia.
A paisagem ao redor da cidade é montanhosa e belíssima. Os dias são quentes, mas as noites de novembro e dezembro são surpreendentemente frias.
O Phoudthasay Center fica ao lado de uma escola de monges, e é comum ver jovens com túnicas laranjas caminhando pelo pátio, realizando cantos matinais ou recebendo oferendas.
Essa proximidade cultural foi um dos pontos altos da experiência.
Lugares interessantes para visitar em Sayaboury
Como não tínhamos habilitação internacional, viajar até Luang Prabang parecia arriscado. Mesmo assim, exploramos alguns locais próximos:
- Um lago no topo de uma colina (ótimo para ver o pôr do sol)
- Uma caverna localizada em um vilarejo rural
(mapas serão adicionados futuramente)
Também ouvimos falar do Festival dos Elefantes, que acontece em fevereiro — um dos maiores eventos culturais da província. Tive contato ainda com um segundo projeto relacionado a elefantes, situado em um vilarejo próximo e que parecia bastante ético: havia elefantes, cabras e cães, e era possível contratar experiências de um dia até duas semanas.
No geral, os visitantes que vimos nesses centros eram majoritariamente europeus.
O melhor pôr do sol
A cerca de 11 km ao sul do centro de Sayaboury, seguindo uma estrada rural onde se vê bezerros correndo, colheitas queimando e crianças pilotando motos, fica um lago próximo ao ECC (Elephant Conservation Center).
O visual é impecável: montanhas ao fundo, um lago calmo e o silêncio do interior.
A ida de bicicleta pode ser cansativa — mas vale cada minuto.
A caverna
A aproximadamente 20 km ao norte da cidade, seguimos até um vilarejo remoto. Depois de estrada esburacada (ótima para quem curte motocross), chegamos a uma pequena comunidade rural junto a um rio e aos pés de um morro coberto de árvores.
Ali, animais como galinhas, vacas e cabras circulavam livremente.
Tentamos cumprimentá-los com “Sabaidee”, mas ninguém respondeu — possivelmente falavam outro dialeto.
Mercados e comida
A cidade conta com um grande mercado central e um supermercado com produtos importados.
Feiras de rua são comuns e há cafés e sorveterias locais para experimentar.
Um dos momentos mais especiais foi passar o feriado de 2 de dezembro — data da independência do Laos da França — junto com a família anfitriã, compartilhando um churrasco típico laosiano, com bacon, cogumelos, macarrão e vegetais.
Conclusão
Sayaboury não é um destino turístico tradicional — e talvez por isso a experiência tenha sido tão rica. Aqui, cada sorriso, cada troca cultural e cada pedalada faz parte de um aprendizado maior.
Se você busca voluntariado em um destino menos explorado, com imersão real e contato genuíno com a comunidade local, essa cidade no interior do Laos pode ser um encontro inesquecível com o simples, o humano e o essencial.